sexta-feira, 20 de março de 2015

Grossura não é prática política

O dicionário define política como a arte ou ciência de governar, ou ainda a aplicação desta arte nos negócios da nação. Mas o que se viu na audiência pública realizada na Câmara de São Bernardo, nesta quarta-feira (18/03), quando a secretária de Educação da cidade, Cleuza Repulho, foi dar explicações aos vereadores sobre a merenda escolar, ficou muito longe do que se supõe ser arte ou ciência. Dois parlamentares, iniciantes na atuação no Legislativo, se dedicaram a interromper a secretária durante suas explicações, Um deles chegou a avançar na direção de Cleuza com o dedo em riste e aos gritos. Talvez se achassem a imagem de algum tribuno da Roma clássica, um Caio Graco, talvez um Coriolano ou até mesmo um Júlio César.

Mas certamente a dupla de vociferadores não entrará para os livros de História. Apenas para os rodapés das páginas que retratarão o lamentável nível de educação de muitos parlamentares que se esquecem de suas funções para procurarem aparecer a qualquer custo para as galerias.

Para a dupla iniciante, é importante lembrar que um vereador tem que fiscalizar o Executivo, mas sempre apresentando propostas e alternativas para a ação pública. O grito, o berro, a ofensa, como aconteceu na audiência desta quarta-feira, desqualificam o trabalho parlamentar. A ofensa a uma mulher desqualifica qualquer um. Não por acaso, um dos parlamentares foi chamado de “machista”. É feio berrar com uma mulher, em qualquer circunstância.

Que a crítica aos jovens parlamentares não seja entendida como o cerceamento da oposição, que deve se contrapor a qualquer medida incorreta do governo. O debate sobre o serviço da merenda escolar em São Bernardo deve ser feito, mas com educação e seriedade. Da forma como a dupla do barulho se portou, a crítica ao governo se desqualifica porque seus autores tropeçam na falta de boas maneiras, atributo de qualquer pessoa, seja adulto ou mesmo criança.

Matéria do ABCD Maior - Imagem: DCM

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